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Rádio Costa Oeste
O avanço no uso de veículos autopropelidos — como patinetes e cicloelétricos — associado às mudanças no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), tem acendido um alerta entre especialistas de trânsito e proprietários de autoescolas. Em entrevista concedida ao Costa Oeste News, Sandra Kestring, proprietária da Auto Escola FK, em São Miguel do Iguaçu (PR), destacou a necessidade urgente de conscientização sobre o uso de equipamentos elétricos individuais, além de avaliar os reflexos das novas diretrizes na formação de motoristas.
Populares nas cidades pelo baixo custo de deslocamento e pela facilidade diante do tráfego e da falta de vagas de estacionamento, os veículos autopropelidos passaram a integrar de forma expressiva o cotidiano urbano. No entanto, a ausência de conhecimento das regras por parte dos usuários tem resultado em infrações e riscos frequentes no trânsito.
Para conter o aumento de ocorrências, diretrizes da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) passaram a estabelecer critérios mais rígidos para a circulação desses equipamentos. A idade mínima para conduzir autopropelidos passou a ser de 16 anos. Entre 16 e 18 anos incompletos, os pais ou responsáveis legais respondem diretamente por eventuais infrações ou danos provocados a terceiros.
A velocidade máxima permitida em ciclovias e ciclofaixas é de 20 km/h, e os veículos não podem circular em vias onde o limite de velocidade seja superior a 40 km/h, o que proíbe o tráfego em rodovias ou vias de trânsito rápido. Além disso, o tráfego sobre calçadas permanece proibido, sendo permitido apenas quando o equipamento é empurrado a pé. Os modelos também devem contar com equipamentos como campainha, iluminação dianteira e traseira, retrovisores e sinalização retrorrefletiva, além da recomendação do uso de capacete.
Durante a entrevista, Sandra Kestring alertou para os perigos da condução por crianças e pela falta de preparo nas vias urbanas, destacando que a responsabilidade primária recai sobre a família. "É comum você ver crianças de 8, 9, 10 anos com patinete na via, com esses scooter, motinha elétrica. Mas eles são muito criança, ainda não sabem as regras de trânsito. O pai e a mãe que entregam esse veículo na mão de uma criança precisam estar cientes das regras antes de fazer isso, precisam passar para o filho", declarou a empresária, defendendo ações educativas e fiscalização preventiva em conjunto com as forças de segurança locais.
A entrevista abordou ainda as transformações no processo de formação de condutores no país. Com o fim das 45 horas de aulas teóricas presenciais obrigatórias — substituídas pelo estudo via aplicativo — e a redução da exigência de aulas práticas para apenas duas horas obrigatórias, o setor de formação de motoristas enfrenta reflexos operacionais e preocupações com a formação final dos alunos.
A empresária relatou que a redução drástica das exigências práticas tem gerado frustração nos candidatos, que acabam descobrindo na prática a necessidade de contratar mais aulas para conseguir dirigir com segurança. "A hora que você fala para uma pessoa: 'Olha, você é obrigado a fazer somente isso [duas aulas], o restante você faz se quiser', consequentemente a pessoa subentende que é capaz em apenas duas aulas. E muitas vezes isso está frustrando os alunos, porque não conseguem aprender a conduzir um veículo na rua em apenas duas aulas", explicou Sandra.
Segundo Sandra, a retirada de etapas como a manobra de baliza do processo tradicional também afetou o aprendizado de fundamentos básicos de manobra e orientação por retrovisores. A perda de demanda por aulas no modelo tradicional impactou diretamente a estrutura interna das empresas do setor, resultando em readequações e cortes de pessoal. "Todas as autoescolas precisaram se readequar na questão do corpo de profissionais. Todas precisaram dispensar. Só no meu caso já gera uma preocupação, porque foram quatro pessoas dispensadas. É triste você chegar para a pessoa e dizer que infelizmente não vai conseguir continuar com o contrato de trabalho, sabendo que todas têm família para sustentar", desabafou a empresária.
Fonte: Costa Oeste News