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Gaeco mira Foz do Iguaçu e duas cidades ao apurar fraudes em sete licitações públicas

Documentos técnicos teriam sido adulterados para permitir que uma empreiteira participasse de concorrências públicas entre 2018 e 2022.

Gaeco mira Foz do Iguaçu e duas cidades ao apurar fraudes em sete licitações públicas

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Gaeco, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (11) durante uma investigação sobre possíveis fraudes em sete licitações realizadas em Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu.


A Operação Male Opus II apura suspeitas de falsidade ideológica, fraude em licitações, associação criminosa e crimes contra a administração pública. As ordens judiciais foram autorizadas pela 1ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu.


As buscas ocorreram em endereços ligados a um engenheiro civil e a uma empreiteira sediada em Foz do Iguaçu. Os agentes também estiveram nos departamentos de licitações das prefeituras dos três municípios.


Segundo o Ministério Público do Paraná, cinco dos processos investigados foram realizados em Foz do Iguaçu. Os outros dois ocorreram em Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu, sendo um em cada cidade.


Documentos técnicos teriam sido adulterados


A investigação aponta que um engenheiro ligado à empresa investigada teria adulterado documentos técnicos que pertenciam originalmente a outra empreiteira.


Entre os materiais supostamente utilizados de forma irregular estão Certidões de Acervo Técnico e Anotações de Responsabilidade Técnica. Esses documentos comprovam a experiência e a responsabilidade de profissionais e empresas na execução de obras.


A suspeita é de que as certidões e anotações tenham sido apresentadas nos sete processos licitatórios para permitir que uma empresa participasse das concorrências sem possuir a qualificação técnica exigida nos editais.


De acordo com o Gaeco, o possível uso de documentos falsos pode ter comprometido a concorrência e permitido a contratação de uma empresa sem experiência técnica compatível com os serviços executados.


As licitações investigadas ocorreram entre 2018 e 2022. Até o momento, conforme o órgão, não foram identificadas possíveis fraudes posteriores ligadas ao mesmo esquema.


Computadores, celulares e processos são apreendidos


Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores buscaram computadores, celulares, mídias de armazenamento, documentos contratuais, propostas de licitação, planilhas de medição, diários de obras e equipamentos que possam ter sido utilizados na emissão dos documentos técnicos investigados.


Também foram recolhidos os cadernos físicos originais das licitações, incluindo envelopes de habilitação e documentos relacionados à fiscalização e à medição das obras.


A operação é coordenada pelo núcleo do Gaeco de Foz do Iguaçu e conta com o apoio de agentes de outras unidades do Paraná.


Prefeitura diz que contratos são de gestões anteriores


Em nota, a Prefeitura de Foz do Iguaçu informou que as diligências estão relacionadas a quatro contratos da Secretaria Municipal de Obras, firmados em 2020 e 2022.


O município afirmou que os fatos investigados ocorreram em gestões anteriores e que, até o momento, não há servidores comissionados da atual administração envolvidos nos processos.


A prefeitura também declarou que está colaborando com as autoridades e fornecendo os documentos e as informações solicitadas.


Operação começou após investigação de 2023


A Male Opus II surgiu a partir de informações obtidas na primeira fase da operação, deflagrada em junho de 2023.


Na ocasião, o Gaeco investigava a atuação de uma suposta organização criminosa em fraudes envolvendo licitações e contratos públicos. De acordo com o Ministério Público, servidores e empresários teriam agido em conjunto, com possível prejuízo aos cofres públicos e enriquecimento ilícito.

Fonte: Portal da Cidade

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