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'Um dia de cada vez': a jovem de São Miguel do Iguaçu que superou perda de mobilidade, conquistou medalha no esporte e cursa Terapia Ocupacional

Após campanha para adquirir uma prótese, Nicole Monique reconstruiu a rotina, entrou na faculdade e passou a integrar o esporte adaptado.

  • 09/08/2026
  • Foto(s): Costa Oeste News
  • Região

Um ano após mobilizar a comunidade de São Miguel do Iguaçu para arrecadar fundos para a aquisição de uma prótese, Nicole Monique transformou a trajetória de vida. Do término do ensino médio no distrito de São Jorge até a conquista de medalhas no esporte adaptado, a rotina ganhou novas perspectivas com o ingresso no ensino superior e o apoio da família e dos moradores locais.

A adaptação ao uso da prótese surpreendeu os profissionais de saúde que acompanhavam o tratamento em Curitiba e durante as sessões de fisioterapia em São Miguel do Iguaçu e Medianeira. O processo de reabilitação durou cerca de três meses, exigindo treinos constantes de adaptação.

"A fisioterapeuta falou que fui muito rápida. Acho que em torno de três meses consegui me adaptar", relata Nicole.


Superação no esporte adaptado


A conquista da mobilidade abriu portas para novos desafios. Antes mesmo de receber a prótese definitiva, Nicole recebeu o convite para integrar treinos de esporte adaptado, incluindo o handebol em cadeira de rodas e modalidades de atletismo, como o arremesso de peso e o lançamento de disco.

Ao estrear na primeira competição regional, realizada em Foz do Iguaçu, a atleta subiu ao pódio com medalha no atletismo.

"No começo a gente fica receosa, pensando em como vai ser. Mas lá a gente se sente muito bem acolhida, porque conversa com pessoas que vivenciam as mesmas experiências. Foi a primeira competição e já consegui medalha", destaca.

Nicole já praticava handebol antes do tratamento no município, mas precisou aprender a dinâmica da modalidade adaptada:

"Eu já fazia handebol antes e sabia bastante das regras, mas o que mudou agora foi a cadeira. A gente adapta alguns movimentos, e desde o primeiro dia de treino foi uma experiência muito boa."


 Inclusão e rotina acadêmica


Além dos treinos esportivos, Nicole deu um novo passo na formação profissional ao ingressar no curso de Terapia Ocupacional na Faculdade Uniguaçu. No ambiente acadêmico, a estudante encontrou um espaço de acolhimento e troca de experiências sobre acessibilidade.

Durante um seminário do curso, a jovem compartilhou detalhes do cotidiano com os colegas de turma e demonstrou como funciona a convivência com a prótese na prática.

"Tenho bastante apoio da turma. Apresentei um seminário sobre a parte de inclusão e contei como é ter essa rotina com a prótese. Eles me conheceram e hoje estão sempre prontos para ajudar quando preciso", conta Nicole.


Ação comunitária em São Jorge


Apesar dos avanços na independência diária, os custos com o tratamento médico continuam. Nicole realiza viagens frequentes a Cascavel para acompanhamento especializado, o que gera despesas com locomoção, combustível e alimentação.

Para custear a logística do tratamento, a família organizou uma nova ação solidária em formato de rifa no município. A iniciativa conta com o engajamento do pai, o professor Ademar, figura conhecida no distrito de São Jorge, e de moradores de São Miguel do Iguaçu.

Para quem enfrenta o início de um processo de reabilitação na comunidade, Nicole deixa uma mensagem centrada na resiliência e na fé:

"O recado que deixo é viver um dia de cada vez e ter paciência. Pedindo a Deus todos os dias e criando essa fé de um dia de cada vez."

Fonte: Costa Oeste News

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