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Rádio Costa Oeste
A reformulação do sistema tributário brasileiro, aprovada após décadas de impasses legislativos e intensas negociações entre o governo e setores produtivos, trará transformações profundas para a rotina das empresas e para o bolso dos consumidores. Em entrevista ao Costa Oeste News, o especialista Carlos Sereni analisou as implicações práticas da transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo e ressaltou a necessidade imediata de planejamento por parte do setor produtivo.
A mudança central envolve a substituição de uma estrutura pulverizada de tributos estaduais, federais e municipais pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Embora a promessa seja de simplificação e maior transparência, o período de transição gradual entre os dois sistemas exigirá cautela redobrada e alto nível de preparo técnico do empresariado.
"Não é apenas uma mudança de alíquota ou de nome de imposto, é uma mudança de cultura operacional. Quem deixar para entender as regras durante o período de transição já começará com prejuízo no fluxo de caixa", disse Sereni.
De acordo com a análise apresentada, o principal desafio imediato não reside na burocracia governamental, mas na adequação interna das companhias. A implementação do IVA dual demandará a revisão completa de processos contábeis, a atualização de softwares de gestão empresarial e o treinamento contínuo de equipes fiscais para garantir que a apuração de créditos tributários ocorra sem perdas financeiras.
"A reforma tributária exige muito mais do que simplesmente ajustar guias de recolhimento no fim do mês. Ela exige inteligência analítica para transformar dados fiscais em informação estratégica antes que o mercado imponha o preço", completou.
Sobre o impacto direto no consumidor final, a unificação trará a vantagem de tornar visível a exata carga de impostos embutida em cada produto ou serviço adquirido, eliminando a cumulatividade mascarada do modelo atual. Contudo, a variação real nos preços dependerá da velocidade com que cada segmento econômico conseguirá adaptar suas estruturas. Nesse cenário, a contabilidade consultiva deixa de ser um mero canal de cumprimento de obrigações para se tornar um pilar fundamental de sobrevivência e competitividade.
Fonte: Costa Oeste News