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Rádio Costa Oeste
O Colégio Estadual Nestor Victor dos Santos, localizado em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, conquistou posições de destaque nacional na divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A instituição atingiu a nota 7,1 nos anos finais do ensino fundamental e 6,4 no ensino médio, colocando a escola entre os melhores desempenhos públicos do Estado e do país.
Nos anos finais do ensino fundamental, a instituição saltou de 6,5 para 7,1, resultado que garante o 5º lugar no Estado do Paraná e a 15ª posição no ranking nacional. No ensino médio, o índice de 6,4 colocou a escola na 5ª colocação do Paraná e no 5º lugar geral no Brasil. A amostragem inclui a comparação com diferentes redes públicas de ensino, abrangendo inclusive colégios da Polícia Militar em todo o país.
"Para a gente atingir esse resultado, é um resultado de um trabalho muito forte de uma equipe que se dedicou muito no ano passado com a aprendizagem dos estudantes. É muito bonito, acho que já choramos bastante na escola, já se abraçamos muito, porque nós conseguimos mostrar para nós mesmos em conjunto que é possível", afirmou o diretor do colégio, Patrick Bellei.
Diagnóstico contínuo e nivelamento de turmas
Entre as principais ferramentas apontadas pela equipe para explicar o avanço está o Centro Avançado de Análises Pedagógicas (CAP), projeto concebido e aplicado na própria instituição. A metodologia consiste no mapeamento do conhecimento dos estudantes, classificando turmas por níveis de proficiência para tratar defasagens e sanar dificuldades específicas de aprendizagem.
A professora de matemática Janaína Lazzeris explicou que a abordagem atua diretamente nas lacunas cognitivas e destacou o papel da regência pedagógica no processo. "A CAP, o diretor e a parte pedagógica foram maestros de uma orquestra. Nós fomos as pessoas que escutamos a batuta e fomos tocando conforme foram nos regendo, e esse resultado pode ser visto dentro da sala com os alunos", relatou a docente.
A recomposição de aprendizagem exigiu flexibilidade e dedicação além da carga horária regular. A professora de língua portuguesa Manoela de Oliveira ressaltou os desafios de adaptar a teoria à prática diária. "Tivemos que trabalhar muito fora do colégio pensando em várias metodologias e estratégias diferentes para englobar todos esses alunos que não estavam conseguindo aprender, porque o foco da recomposição são esses alunos que têm a maior dificuldade", explicou.
Tecnologia e inteligência artificial na rotina escolar
O debate também abordou o impacto da tecnologia no ambiente escolar. A inteligência artificial (IA) tem sido utilizada como suporte ao planejamento docente, auxiliando na elaboração de atividades adaptadas para alunos de inclusão e com perfis variados.
Contudo, a aplicação por parte dos estudantes segue critérios específicos. Na disciplina de língua portuguesa, a professora Miriam Walnier informou que as produções textuais do 6º ao 9º ano são realizadas exclusivamente em sala de aula, sob mediação presencial. "O aluno precisa fazer isso em sala, com a mediação do professor, para produções específicas em que preciso perceber o nível em que ele está. A IA facilita demais e a gente não quer correr o risco de que ele traga algo pronto que não foi uma produção de autoria dele", destacou Miriam.
Na matemática, a IA é orientada como ferramenta de suporte para detalhar o passo a passo de resoluções complexas quando o estudante estuda fora do horário escolar, sem substituir o desenvolvimento do raciocínio lógico em sala de aula.
Parceria com a comunidade
A equipe diretiva e os docentes destacaram que a manutenção dos resultados depende do fortalecimento do vínculo entre a escola e as famílias.
"Sem as famílias acreditando na escola onde colocam os filhos, nada disso é possível. Eles precisam estar juntos com a gente para que a gente consiga atingir tudo isso que atinge", reforçou o diretor Patrick Bellei.
Fonte: Costa Oeste News