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Maio Laranja: Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes saltam no país, alerta especialista

Em entrevista ao Costa Oeste News, psicóloga Vanessa Soller detalha sinais de abuso e a importância da escuta especializada em São Miguel do Iguaçu.

  • 15/05/2026
  • Foto(s): Costa Oeste News
  • Região
Maio Laranja: Casos de violência sexual contra crianças e adolescentes saltam no país, alerta especialista

No mês dedicado ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, a campanha Maio Laranja ganha contornos urgentes diante de dados alarmantes. Em entrevista ao Costa Oeste News, a psicóloga Vanessa Soller, atuante no serviço de escuta especializada de São Miguel do Iguaçu, alertou para o crescimento expressivo nas notificações de violência sexual no Brasil nos últimos anos.

Segundo dados citados pela especialista, o país registrou um salto de aproximadamente 54 mil casos notificados em 2020 para mais de 100 mil em 2022. "O aumento é assustador, mas é preciso considerar a subnotificação. Muitos adultos hoje carregam traumas de violências sofridas na infância que nunca foram relatadas", explicou Soller.


Sinais de alerta


A identificação precoce é uma das principais armas de defesa. De acordo com a psicóloga, pais e educadores devem estar atentos a mudanças bruscas de comportamento. "O maior sinal é o conhecimento de práticas sexuais impróprias para a idade, que a criança pode manifestar em desenhos, brincadeiras com bonecos ou vocabulário adulto", afirmou.


Outros sinais citados incluem:


Alterações severas no sono e pesadelos recorrentes;


Isolamento social ou medo repentino de pessoas com quem a criança tinha vínculo;


Regressão de comportamento (voltar a urinar na cama, por exemplo) ou agressividade excessiva.


O papel da escola e da comunidade


A especialista reforçou que a legislação brasileira impõe a todo cidadão o dever de comunicar suspeitas de violência às autoridades. No ambiente escolar, professores utilizam fichas de notificação para encaminhar casos ao Conselho Tutelar sem a necessidade de identificação do profissional, visando a proteção de quem denuncia.

"O Disque 100 é um canal fundamental. A denúncia pode ser anônima e é o primeiro passo para retirar a criança de um ciclo de sofrimento", pontuou Soller. A psicóloga também destacou que São Miguel do Iguaçu é referência na implementação da "Escuta Especializada" desde 2019, técnica que permite colher o relato da vítima de forma humanizada, evitando a revitimização.


Perigo no mundo digital


Um novo desafio apontado na entrevista é o abuso e a violência psicológica por meio das telas. A exposição em redes sociais e jogos online tem sido porta de entrada para aliciadores. "Orientar a criança de que um segredo que machuca o coração não deve ser guardado é a melhor prevenção. É necessário falar sobre proteção digital e monitorar o acesso a conteúdos impróprios", concluiu.

A programação do Maio Laranja em São Miguel do Iguaçu segue até o fim do mês com palestras em escolas municipais, estaduais e encontros com líderes religiosos para fortalecer a rede de proteção local.

Fonte: Costa Oeste News

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