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Rádio Costa Oeste
A operação que resultou em dois suspeitos mortos em Santa Terezinha de Itaipu e cinco prisões nesta semana revelou a complexidade da organização criminosa desmantelada. Detalhes fornecidos pelo delegado da Polícia Civil de São Miguel do Iguaçu, Walcely de Almeida, demonstram que o grupo utilizava planejamento estratégico e tecnologia para executar os crimes.
Logística e Provas Coletadas
As investigações localizaram o ponto de apoio logístico da organização: um sítio isolado que servia de esconderijo e base após as ações na rodovia. No local, foram encontrados vestígios de veículos e placas de automóveis utilizadas nos assaltos. Uma das placas apresentava perfurações de arma de fogo, o que confirma a violência dos confrontos ocorridos durante as abordagens criminosas na BR-277.
Tecnologia no Combate ao Crime
O diferencial desta fase da investigação foi a aplicação de inteligência digital. A Polícia Civil desenvolveu algoritmos específicos para processar dados das câmeras de monitoramento de São Miguel do Iguaçu, permitindo o rastreio de veículos mesmo com a troca constante de placas.
"Estamos com um pouco de tecnologia à frente e conseguindo desvendar essas quadrilhas que trocam de placa e de veículo o tempo todo", afirmou o delegado Walcely de Almeida.
Este mapeamento digital permitiu a caracterização de seis eventos criminosos distintos, vinculando os suspeitos a roubos onde vítimas foram baleadas, incluindo um idoso que precisou prestar depoimento por videoconferência durante o período de recuperação hospitalar.
Monitoramento de Vítimas em Foz do Iguaçu
A investigação aponta que a quadrilha mantinha uma rede de informantes em pontos estratégicos de Foz do Iguaçu para identificar potenciais alvos:
Estacionamentos e proximidades da Ponte da Amizade: Onde o carregamento de mercadorias era monitorado.
Hotéis: Onde eram identificados turistas e sacoleiros com cargas de eletrônicos de alto valor, especialmente aparelhos de celular de última geração.
Ao ingressarem na rodovia BR-277, as vítimas passavam a ser monitoradas pelos executores, que utilizavam bloqueadores de sinal (jammers) para impedir o acionamento das forças de segurança ou pedidos de socorro por rádio e celular.
Arsenal e Simulação de Autoridade
O material apreendido reforça o modus operandi de simulação de operações policiais. Além de armamento de diversos calibres (12, 32, 9mm e 38), os agentes apreenderam giroflex e balaclavas. O uso desses equipamentos permitia que o bando realizasse abordagens fingindo ser agentes da lei, facilitando a rendição das vítimas.
A Polícia Civil segue com os procedimentos para finalizar os inquéritos e identificar possíveis ramificações da rede de informantes. O alerta permanece para que motoristas mantenham cautela em deslocamentos noturnos nos trechos identificados como de maior risco.
Fonte: Costa Oeste News