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Rádio Costa Oeste
A raiva animal permanece como uma das ameaças mais severas à saúde pública devido à evolução fatal: uma vez que os sintomas se manifestam, não há cura. Em entrevista ao Costa Oeste News nesta terça-feira (10), a veterinária Geórgia Freitas destacou que a vacinação regular é a única barreira eficaz contra a doença e alertou para o risco negligenciado por muitos tutores.
Um dos pontos centrais abordados por Geórgia foi o comportamento de donos de animais que vivem exclusivamente dentro de casa ou em apartamentos. Segundo a especialista, existe uma falsa sensação de segurança nesses ambientes que pode ser perigosa.
"É um mero engano. O responsável tem que buscar o acompanhamento e a vacinação, seja para cão, gato ou pets não convencionais. A raiva é controlada na zona urbana justamente por causa da vacina", explicou.
A veterinária ressaltou que morcegos, que podem entrar por frestas de telhados ou janelas, são os principais transmissores do vírus no ambiente urbano, podendo infectar animais que nunca saem de casa.
Sinais de alerta e protocolo de urgência
A doença ataca o sistema nervoso, causando mudanças drásticas de comportamento. Entre os sinais clássicos estão a agressividade extrema, a paralisia e a hidrofobia — a incapacidade ou medo paralisante de deglutir água.
Caso ocorra um incidente de mordida ou arranhão, a orientação é de ação imediata:
Lavagem: Higienizar o local imediatamente com água e sabão.
Socorro médico: Procurar o pronto atendimento para avaliar a necessidade de soro ou vacina humana.
Observação: O animal não deve ser sacrificado de imediato, mas isolado e monitorado por 10 dias por autoridades sanitárias para verificar a evolução de sintomas.
Prevenção e letalidade
A vacina antirrábica deve ser aplicada a partir dos 4 meses de vida, com reforço obrigatório a cada 12 meses durante toda a vida do animal.
A urgência na prevenção justifica-se pela ausência de tratamento eficaz. "Se for constatado que o animal tem sintomas de raiva, a recomendação é a eutanásia para abreviar o sofrimento, já que o desfecho é sempre o óbito", pontuou Geórgia. No último ano, São Miguel do Iguaçu registrou 165 atendimentos rábicos no pronto atendimento, reforçando a presença do risco na região.
Morcegos em residências
Para casos de morcegos no forro de casa, a veterinária desencoraja o uso de venenos, prática que configura crime ambiental. A solução passa pela instalação de luzes ou dispositivos sonoros, já que os animais preferem locais escuros e silenciosos.
"Se encontrar um morcego caído ou desorientado, nunca toque nele e chame a vigilância imediatamente", concluiu a veterinária.
Fonte: Costa Oeste News