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Rádio Costa Oeste
O endividamento das famílias paranaenses permaneceu praticamente estável em outubro, mas a proporção de consumidores com contas em atraso voltou a crescer. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Fecomércio PR, 87,6% das famílias do estado possuem algum tipo de dívida, percentual próximo aos 87,7% registrados em setembro. O comportamento acompanha a tendência de estabilidade observada no Brasil, onde o endividamento ficou em 81,6%.
Com a manutenção do indicador, o Paraná passou da quarta para a sexta posição no ranking nacional de estados com maior percentual de famílias endividadas. Apesar da mudança, o estado permanece acima da média brasileira, com diferença de seis pontos percentuais.
A estabilidade do endividamento, no entanto, não se refletiu no pagamento das contas. A parcela de famílias paranaenses com dívidas em atraso passou de 19,3% em setembro para 20,1% em outubro, mantendo a tendência de crescimento observada desde maio. Já a proporção daquelas que afirmam não ter condições de quitar os débitos em atraso permaneceu em 5,2%.
O avanço da inadimplência também alterou a posição do Paraná no cenário nacional. Em setembro, o estado ocupava a penúltima colocação no ranking de famílias com contas em atraso, figurando entre as menores taxas do país. Em outubro, passou para a 23ª posição.
Famílias de menor renda enfrentam maior dificuldade para manter as contas em dia
O endividamento é mais elevado entre as famílias com renda de até dez salários mínimos. Nesse grupo, o percentual chegou a 88,9% em outubro, com ligeira alta em relação a setembro.
É também nessa faixa de renda que a inadimplência apresentou o avanço mais expressivo ao longo de 2026. Em janeiro, 14,2% dessas famílias possuíam contas em atraso. O percentual chegou a 21,1% em setembro e subiu novamente em outubro, alcançando 22,2%. O aumento acumulado no ano é de oito pontos percentuais.
A proporção de famílias de menor renda que afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso permaneceu estável nos últimos três meses, marcando 5,9% em outubro. Entretanto, o indicador está acima do registrado em janeiro, quando era de 3,2%.
Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o cenário é diferente. O endividamento recuou de 83,3% em setembro para 81,5% em outubro, enquanto a inadimplência permaneceu em 11,3%, percentual ligeiramente inferior aos 12,5% registrados no início do ano.
Nesse grupo, também houve crescimento na parcela de famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos em atraso. O percentual, que era de apenas 0,6% em janeiro, chegou a 2,4% em outubro.
Outras modalidades de dívida ampliam participação entre as contas a pagar
O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de endividamento das famílias paranaenses, citado por 88,3% dos consumidores endividados em outubro. Apesar da predominância, sua participação diminuiu ao longo de 2026, já que em janeiro era mencionado por 94,1% das famílias.
O financiamento de veículos aparece na sequência, com 9%, seguido pelos carnês, citados por 8,8% dos consumidores endividados. Essa última modalidade dobrou sua participação ao longo do ano, passando de 4,4% em janeiro para 8,8% em outubro.
O financiamento imobiliário corresponde a 7,4% das dívidas e manteve participação relativamente estável durante o ano.
Outras modalidades também registraram crescimento. O crédito consignado passou de 1,2% em janeiro para 4,7% em outubro, aumento de 3,5 pontos percentuais. Já o crédito pessoal avançou de 2% para 3,8% no mesmo período, diferença de 1,8 ponto percentual.
Assim, embora o cartão de crédito permaneça como a modalidade mais utilizada pelas famílias endividadas no Paraná, a pesquisa mostra uma redução de sua participação ao longo de 2026, acompanhada pelo aumento das menções a carnês, crédito consignado e crédito pessoal.
Fonte: Assessoria