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Rádio Costa Oeste
O tráfico de pessoas, crime muitas vezes invisibilizado ou compreendido de forma equivocada, foi o tema central da entrevista concedida pela jornalista e pesquisadora Rosane Amadori ao Costa Oeste News. A especialista detalhou a urgência de informar a população sobre as táticas utilizadas pelos criminosos, que hoje operam majoritariamente através do engano e da sedução em redes sociais.
De acordo com a pesquisadora, o conceito moderno de tráfico de pessoas no Brasil é recente e abrange situações que vão além do deslocamento físico forçado. "O tráfico de pessoas hoje, pela legislação brasileira, compreende cinco modalidades: a exploração pelo trabalho análogo à escravidão, a exploração sexual, a servidão, a extração de órgãos e tecidos e a adoção ilegal", explicou Rosane Amadori.
Mercantilização e Invisibilidade
A localização na Tríplice Fronteira exige atenção redobrada devido à vulnerabilidade de certas populações. Rosane Amadori destacou que a essência desse crime é o lucro sobre a vida humana. "O que é importante as pessoas compreenderem é que as situações de tráfico mercantilizam pessoas, ou seja, tornam pessoas um produto. É como se alguém se apropriasse daquela pessoa e passasse a explorá-la para obter vantagem", afirmou a jornalista.
Na região Oeste, o trabalho análogo à escravidão é uma realidade presente não apenas em grandes obras, mas também em ambientes domésticos e industriais. Segundo a especialista, muitos casos de servidão doméstica são mantidos por gerações de forma invisibilizada. "Existem pessoas que são mantidas às vezes por gerações sem uma identidade, em condições de exploração que a sociedade acaba normalizando, mas que são punidas pela lei", alertou.
Sedução Digital e Prevenção
A imagem do sequestro com uso de força, embora possível, deu lugar a métodos mais sofisticados de recrutamento. Rosane explicou que a maioria dos casos ocorre por meio do "engano e da sedução", especialmente em plataformas digitais onde são feitas propostas tentadoras de emprego ou sonhos de vida melhor, resultando no isolamento e na coação da vítima em locais distantes da origem.
A entrevista ressaltou que a educação é a principal ferramenta para romper o silêncio. "O nosso papel é levar informação para instruir e ajudar as pessoas a se posicionarem. Precisamos entender que não precisamos e não devemos mais escravizar uns aos outros", pontuou a jornalista.
Engajamento Regional e Contato
O debate antecede as ações da "Semana Coração Azul", campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada à conscientização mundial sobre o tema. Rosane Amadori reforçou a disponibilidade para realizar palestras presenciais e treinamentos em municípios como São Miguel do Iguaçu e Toledo, visando capacitar órgãos públicos e empresas na identificação de riscos.
Para agendamento de palestras educativas, o contato pode ser feito diretamente com a jornalista pelo e-mail: rosaneamadori1@gmail.com.
Fonte: Costa Oeste News