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Rádio Costa Oeste
A paranaense Thais Valiati, natural de São Miguel do Iguaçu, viveu momentos de pânico com o agravamento do conflito no Líbano. Morando no país desde agosto de 2025, Thais viu a rotina ser transformada em uma luta pela sobrevivência em questão de horas. Após perder a casa em 2024 e iniciar um processo de reconstrução, ela e a família foram surpreendidas por uma nova ofensiva no início de março.
"A gente acordou no susto, foi tudo muito de repente. Acordamos de madrugada com barulhos de aviões de guerra, drones passando por cima da casa e bombas explodindo", relata Thais.
A Fuga e o Caos
Após um alerta de evacuação do exército, que listou diversos bairros do sul e norte do Líbano, a família teve que abandonar tudo imediatamente. Thais descreve o impacto psicológico da situação: "Eu nunca imaginei estar vivendo uma situação dessa. Senti muito medo de morrer, de perder a filha, o marido. Foi uma guerra muito psicológica também".
O deslocamento para Beirute, capital do país, que normalmente levaria cerca de uma hora, tornou-se uma jornada de 15 horas devido ao fluxo massivo de pessoas fugindo ao mesmo tempo. "Era uma fila quilométrica. Vi coisas que nunca imaginei: famílias inteiras, crianças e idosos dormindo em colchões na rua porque não tinham para onde ir", lamenta.
Incerteza e Separação
A situação no Líbano é descrita pela paranaense como um cenário de caos, com serviços essenciais limitados e o cancelamento da maioria dos voos comerciais. Thais conta que, inicialmente, buscou ajuda da embaixada brasileira, mas não havia planos de repatriação imediatos na ocasião.
Conseguindo um voo extra por uma companhia local, ela chegou recentemente a Roma, na Itália, acompanhada da filha. No entanto, o alívio da segurança é acompanhado pela dor da separação familiar.
"Nesse momento estou em Roma com a filha. Uma só metade de mim, a outra metade ficou lá. O marido não veio", desabafa Thais.
A são-miguelense encerra o relato com um apelo pelo fim das hostilidades: "Espero que de verdade essa guerra termine logo, porque é muita gente inocente morrendo. É muito triste".
Fonte: Costa Oeste News